Turismo no México mostra sinais de recuperação na reabertura

Um estudo mostrou que o destino resiste ao impacto da Covid e tem recuperado a confiança do turista no destino, interesse e conectividade aérea

A Interamerican Network, agência de comunicação especializada em turismo, e sua parceira Inteligência Turística Mabrian, uma empresa de big data também especializada no setor, realizaram um estudo sobre os efeitos da crise provocada pela Covid e os indicadores de confiança, demanda e conectividade no México, em relação aos seus principais mercados internacionais.

O México se tornou o quinto país mais afetado pelas mortes causadas pela pandemia da covid-19 no mundo, com mais de 30 mil mortes, conforme relatado pelo Governo do país. Essa grave situação de saúde está afetando diretamente a indústria do turismo que, apesar de fazer um excelente trabalho de prevenção, vê como a reabertura dos principais destinos do país, iniciada recentemente, pode ser comprometida.

Índice de percepção de segurança de turistas estrangeiros em relação ao México

Dados do estudo mostram um pequeno aumento na confiança dos viajantes em visitar o país

A situação da saúde no México está afetando a confiança demonstrada pelos potenciais visitantes. Entre 15 de fevereiro e 15 de julho, o Índice de Percepção de Segurança (PSi) do país caiu 13%. No entanto, essa evolução é diferente para os Estados Unidos, que demonstram maior estabilidade e nível de confiança de viajar para o México no período analisado. Logo atrás estão os brasileiros. Por outro lado, canadenses e argentinos são muito mais sensíveis à situação no México, mostrando maior instabilidade e queda no PSi.

Em base de comparação, uma pesquisa anterior feita somente sobre o Brasil entre 1 de fevereiro e 17 de junho, o PSi foi seriamente afetado pela situação gerada pela pandemia por aqui, segundo país com mais casos no mundo. A partir de uma avaliação máxima de 100 pontos nesse índice, todos os mercados analisados caíram mais de 40% em sua confiança para viajar ao país.

Aumento na demanda

As buscas de voos nos três principais aeroportos turísticos do México (Cancun, Los Cabos e Puerto Vallarta) foram monitoradas, para viagens em qualquer data futura a partir do dia da pesquisa. Como base, foi analisado os dez principais mercados de origem do país, incluindo o doméstico, e comparado com os volumes de pesquisa de voos para o mesmo período em 2019.

Foi observado que a partir de 16 de março, início da pandemia, houve uma clara mudança de tendência, com as buscas de voos caindo abaixo dos valores de 2019. Desde então, a evolução foi claramente negativa, atingindo quedas de até 90% no volume de buscas.

Em algumas datas, no entanto, a partir de 20 de maio é observado o início de uma tendência de recuperação suave, mas constante. Comparando a primeira semana de julho com a primeira semana de junho, há um aumento de mais de 30% no volume de pesquisas. Embora os valores de julho ainda estejam mais de 60% abaixo de 2019.

Conectividade aérea

O volume total de voos programadas tende a aumentar nos próximos três meses

Além de pesquisar a demanda, a análise da facilidade de acesso ao destino também foi incluída. Um dos principais efeitos turísticos da crise gerada pela covid-19 foi a interrupção da conectividade aérea internacional. Considerando os dez principais aeroportos do México e os horários de voos publicados pelas companhias aéreas em 30 de junho de 2020, são observadas grandes diferenças nos próximos meses.

Em julho, os voos programados nos mercados analisados foram praticamente nulos. A única exceção são os Estados Unidos, que retêm 44% dos voos programados, se o compararmos com 2019.

Para agosto, a programação dos voos marca uma clara recuperação em praticamente todos os mercados analisados, com exceção da Argentina, embora os valores de 2019 não sejam atingidos. A recuperação de voos do Brasil no entanto valem o destaque.

Já em setembro, a programação é muito mais otimista. O volume total de voos programadas durante o mês é recuperado, em comparação a 2019, do Brasil e da Argentina. Os Estados Unidos atingem um nível semelhante, enquanto no Canadá ainda é observado um volume menor que 2019, ou seja, -12,6%.