Trabalho voluntário: conheça a experiência de duas intercambistas durante o FSJ

Alguns tipos de intercâmbio são muito conhecidos como, por exemplo, o programa de au pair, as opções de estudo e trabalho ou, até mesmo, aqueles em que o estudante viaja apenas para aprender o idioma local. Mas, você sabia que é possível fazer trabalho voluntário no exterior e ainda receber por isso?

O  Freiwilliges Soziales Jahr (FSJ) é o Ano Voluntário Social, um programa mantido pelo governo alemão. Por meio dele, você consegue morar na Alemanha e praticar o idioma enquanto trabalha em uma instituição como voluntário.

A intercambista Jullie Nascimento embarcou para a Alemanha como au pair. Depois de um ano, ela percebeu que não tinha evoluído no idioma como gostaria e buscou outras maneiras de ficar no país para desenvolvê-lo e, foi nesse momento, que ela decidiu fazer a aplicação para o FSJ.

Durante o Ano Voluntário Social, os voluntários trabalham em instituições como asilos, creches, escolas com alunos com deficiência, hospitais, entre outras opções. Para encontrar uma vaga, Jullie recorreu à Caritas, uma organização que faz o papel de intermediadora entre o voluntário e os locais que precisam dele.

“Como eu estava procurando em cima da hora, a maior parte das vagas era de cuidador ou em hospital. Era algo que eu não queria, mas mesmo assim eu fui”, conta a intercambista. Sua primeira entrevista foi na área em que ela tinha interesse: uma creche com crianças com necessidades especiais. No entanto, o seu alemão ainda era básico e ela não conseguiu a vaga. Depois, Jullie fez um teste em um hospital, mas ao experimentar como seria a sua rotina, decidiu que não era a vaga certa para ela. Por fim, ela acabou trabalhando como cuidadora de idosos em um asilo durante um ano.

Já o processo de Stephany Nunes foi um pouco diferente. Ela fez seis meses de curso intensivo do idioma e, em seguida, procurou outras formas de permanecer no país — e o FSJ parecia uma boa solução. “Meu processo foi diferente porque eu preferi entregar meu currículo pessoalmente, então levei em alguns lugares e fui chamada para uma entrevista”, explica. Depois da entrevista, ela fez um teste e passou um dia no local para conhecer sua rotina e, no final do teste, perguntaram se ela queria a vaga.

Rotina no trabalho

Quem decide fazer o FSJ precisa estar preparado para arregaçar as mangas e trabalhar. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais e, em geral, a rotina costuma ser bem definida.

Stephany trabalha em um jardim de infância e seu papel é dar suporte às pedagogas do local. Ela ajuda a montar projetos, brinca com as crianças, vai aos passeios e participa de reuniões.

No asilo, a rotina de Jullie começava às 7h30 e terminava às 15h30. Ela era responsável por servir a alimentação dos idosos (café da manhã, almoço e café da tarde), levá-los para a missa diária e acompanhar as atividades em grupo. O asilo possui quatro andares e cada voluntário é responsável por cuidar de um andar.

Moradia e ajuda de custo

Quando o assunto é moradia, cada instituição funciona de uma forma e não há uma regra geral. Alguns locais disponibilizam um apartamento compartilhado para os voluntários, já outros podem oferecer uma ajuda de custo. 

No caso do jardim de infância em que Stephany trabalha, eles oferecem um alojamento ou uma ajuda de custo de 200 euros para quem não for morar nele. Enquanto isso, o asilo em que Jullie trabalha não disponibiliza nem um, nem outro. 

O programa também oferece uma uma espécie de mesada para os voluntários. O valor varia de acordo com a instituição, mas o mínimo são 300 euros por mês. Stephany recebe 400 euros e Jullie 490. “Eu digo que com o salário do ano social não se vive, se sobrevive”, define Jullie, considerando gastos com aluguel, alimentação e outras despesas do dia a dia.

Nível de alemão

O FSJ solicita que o intercambista tenha o nível básico de alemão, o equivalente ao A1 no Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (CEFR). Entretanto, segundo Stephany, seria muito difícil acompanhar a rotina e as atividades das semanas de seminário com o nível básico.

Os seminários fazem parte do Ano Social Voluntário e os voluntários precisam se deslocar para uma espécie de casa de férias. Durante esses dias, diversos temas são discutidos como problemas em relação ao planeta, a aceitação de estrangeiros, choques culturais, entre outros assuntos.

“A cada 2 meses, temos um seminário, onde fazemos atividades, montamos coisas, brincamos, e todos falam só alemão. Eu estou em um grupo que não tem nenhum estrangeiro”, explica Stephany.

A experiência de Jullie mostra como a língua era necessária no dia a dia do asilo. “Uma vez por semana eu tinha que preparar uma atividade para os idosos. A falta da língua alemã era difícil, porque eu tinha que fazer uma atividade com 10 idosos e eu não conseguia ler um texto e entender o que estava sendo dito para fazer uma atividade, sabe? Complicado”, conta a intercambista.

Trajetória e objetivos

Jullie fez o Ano Voluntário Social entre 2018 e 2019 e seu objetivo principal era desenvolver o conhecimento na língua, meta que ela conseguiu atingir. Atualmente, ela está fazendo um curso profissionalizante, chamado Ausbildung, na área da saúde como cuidadora de idosos

Enquanto isso, Stephany está prestes a completar dois meses do seu ano como voluntária. Mas, ela já tem planos para o futuro: após o ano social, a intercambista pretende estudar pedagogia.
Se você ficou curioso sobre esse tipo de intercâmbio, veja como fazer a aplicação para o FSJ. Spoiler: é possível aplicar do Brasil.