Covid-19: Operadoras deixaram de faturar cerca de R$ 4,5 bilhões em 2020

Os dados foram retirados do balanço realizado pela Braztoa sobre o primeiro semestre de 2020

A Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), em parceria com o Laboratório de Estudos em Sustentabilidade e Turismo da Universidade de Brasília (LETS/UnB) analisou diversos dados referentes às consequências da pandemia nos negócios das operadoras de turismo. O objetivo do estudo é trazer um panorama inédito do primeiro semestre dessas empresas, que representam cerca de 90% das viagens de lazer comercializadas no Brasil.

De acordo com o balanço divulgado referente ao primeiro semestre de 2020, estima-se que as operadoras deixaram de faturar cerca de R$ 4,5 bilhões por conta do Covid-19.

Quatro meses depois da confirmação do primeiro caso no Brasil, a entidade consolida sua quarta pesquisa mensal e apresenta os resultados de junho.

De acordo com a pesquisa, abril foi o pior mês de vendas. Por outro lado, junho indicou uma leve e gradativa recuperação nos resultados, com 69% das empresas realizando comercializações.

“Os dados de junho apontam para uma leve melhoria na visão das operadoras. Nota-se uma parcela crescente de empresas que realizaram vendas. Chama atenção uma sensação geral de melhora ou semelhança em relação ao mês anterior”, afirmou Helena Costa, Mestre em Turismo e Líder do Laboratório de Estudos de Turismo e Sustentabilidade da UNB. “Em tempos tão turbulentos, é valiosa a percepção dos empresários de que não houve piora”, completou.

COMERCIALIZAÇÕES E FATURAMENTO

Abril foi o pior mês de vendas e junho indica uma leve e gradativa recuperação nos resultados, com 69% das empresas realizando comercializações

A maior parte (69%) das associadas Braztoa realizaram vendas em junho, o que mostra que a comercialização alcançou 15% mais empresas que no mês de maio (quando este patamar estava em 60%). Este número é importante, pois culmina no momento em que 25% das operadoras abriram seus escritórios físicos.

Esse número também reflete o aquecimento gradativo que está chegando a essas empresas, desde maio, à medida que os consumidores começam a sentir mais segurança para viajar, principalmente por conta dos protocolos de biossegurança e pela abertura de alguns destinos.

Para que o atual cenário do setor seja refletido com clareza, alguns dados precisam ser conectados. Por exemplo, a correlação entre o número maior de operadoras que estão com suas vendas ativas e o volume dessas comercializações.

Para a maior parte das associadas (72%), essas vendas, apesar de serem importantes, representam somente até 10% do que foi vendido no mesmo período de 2019.

Nesse sentido, se levarmos em conta o faturamento dessas empresas em 2019 (R$ 15,1 bilhões), estima-se que as mesmas deixaram de faturar R$ 4,5 bilhões, nos quatro primeiros meses da pandemia.

PACOTES E COMPORTAMENTO DOS CLIENTES

As operadoras já registram uma desaceleração dos cancelamentos das viagens por parte dos clientes

Os pedidos de cancelamento fizeram parte do cotidiano de 88% das empresas consultadas. Estima-se que, desde o início da crise, os valores de reembolsos já ultrapassaram a marca de meio bilhão de reais.

Contudo, a diminuição desses pedidos foi apontada por quase metade das empresas (44%), uma mudança que chama a atenção e indica o início de um novo caminho para esse tipo de solicitação. Em maio, apenas 26% disseram ter identificado uma queda nesse quesito enquanto que 29% mantiveram essa demanda nos mesmos patamares do mês anterior e 15% registraram aumento.

Para os clientes que não optaram pelo cancelamento, a pesquisa também revela para quando são os embarques. Surpreendentemente, as vendas de roteiros para embarques em julho tiveram um crescimento repentino e alcançaram 77% das operadoras, saindo do terceiro lugar no ranking de procuras para o topo da lista.

Em abril, as vendas para esse período alcançaram apenas 24% das empresas. Acredita-se que o home office, aliado à suspensão das aulas presenciais e também ao desejo reprimido de viajar, tenham contribuído para o número.

Já comercializações cujos embarques acontecerão entre agosto e dezembro de 2020 alcançaram 60% das operadoras, e as vendas de viagens que serão realizadas em 2021, 62% das empresas.

EXPECTATIVAS PARA O FUTURO

Questionados sobre expectativa de faturamento no segundo semestre, considerando o mesmo período do ano anterior, 37% das operadoras esperam uma redução entre 76% e 100%. Já para 33% das empresas, a redução deve ficar entre 51% e 75%.

Por outro lado, 13% acreditam que a diminuição fique entre 26% e 50%, percentual que se repete entre as empresas que não conseguem prever como será o período. Por fim, apenas 4% das pesquisadas espera que a retração seja de até 10%.

Considerando o cenário atual da pandemia, mais da metade (54%) das empresas espera atingir o mesmo volume de faturamento pré-pandemia apenas em 2022. Os que aguardam esses resultados em 2021 somam 13%, ficando quase empatados com os que esperam o mesmo apenas para 2023.

Quase um quarto das empresas (23%) não souberam opinar. Esse aspecto da pesquisa é muito volátil e tende a ter grandes mudanças. Isso porque dependem de acontecimentos como a descoberta de uma vacina, abertura mais ampla das fronteiras, entre outras coisas.

Além disso, a retomada das vendas, das viagens e das atividades dependem de diversos fatores e geram alguns pontos de preocupação, cujos destaques estão no:

– Fechamento das fronteiras (88%);
– Condições sanitárias (75%);
– Posicionamento de marca (74%);
– Câmbio (67%);
– Fluxo de caixa (65%);
– Segurança sanitária e medo por parte do consumidor (65%).