Setor de entretenimento dos EUA terá retomada lenta e prejuízos devem ultrapassar US$ 160 bi

De acordo com especialista, os parques da Disney e Universal tem investidos somas consideráveis para adaptações de logística para reabertura mas a recuperação financeira será lenta

A pandemia do novo Covid-19 atingiu o mercado do entretenimento mundial de formas jamais antes vistas. Nos EUA por exemplo, as principais capitais da diversão – mais afetadas pelo isolamento obrigatório – tem buscado alternativas para retomada econômica após perdas drásticas de faturamento.

Ao lado de Orlando, na Flórida, onde ficam os parques da Disney e da Universal, Las Vegas também teve sua economia devastada pelo novo coronavírus. Um terço de todos os postos de trabalho dependem da indústria de turismo e entretenimento e segundo dados oficiais, o desemprego passou de 4% em fevereiro para 25% até maio. Las Vegas tem 150 mil quartos de hotel (para efeito de comparação, Nova York possui 107 mil e Londres, 140 mil). A média de ocupação, que costumava girar em torno de 90%, despencou para menos de 5% nas últimas oito semanas.

Na última semana, a Disney anunciou a reabertura de dois de seus parques temáticos na Flórida para o dia 11 de julho e o parque temático do Universal Studios Orlando também anunciou reabertura ao público, com capacidade reduzida, para esta sexta-feira (05). Mas essa retomada das atividades não deve assegurar uma recuperação rápida do setor, como afirma o Diretor da agência multinacional de Comunicação, Marketing e imprensa – Onevox Global – com sede em Orlando, Rodrigo Lins.

“Todos os nossos clientes que atuam na indústria do turismo e no mercado do entretenimento foram profundamente afetados pela pandemia. Houve uma redução de 100% na receita para muitos deles. Aqui em Orlando-FL, cinemas, teatros e os parques temáticos demitiram em massa e não estão otimistas com a recuperação financeira rápida. Os famosos parques da Disney e Universal tem investidos somas consideráveis para adaptações de logística para reabertura”, explicou Rodrigo Lins.

Rodrigo Lins, diretor da Onevox Global – com sede em Orlando, afirma que retomada nos EUA será lenta e setor terá perdas de até US$ 160 bi em cinco anos (Foto: Hugo de Souza)

De acordo com o especialista, a proibição de visitantes de alguns países, entre eles o Brasil, anunciada na última semana pelo Presidente Donald Trump, deve contribuir ainda mais para os prejuízos nos setores do turismo e do entretenimento nos Estados Unidos. O instituto de pesquisa americano, Ampere Analysis prevê uma perda global de crescimento para o setor do entretenimento na ordem de US$ 160 bilhões em cinco anos. Somente no setor do teatro, o instituto prevê um impacto relativo a 11% e uma perda de crescimento em US$ 24,4 bilhões de dólares.

IMPACTO EM EMPRESAS BRASILEIRAS

Mais de 90% das empresas brasileiras na Flórida prestam serviços no setor do turismo ou do entretenimento. Rodrigo Lins explica que o impacto foi direto e que os empreendedores brasileiros no estado já estão se reinventando para driblar a crise da pandemia. “Muitos empresários brasileiros com autorização legal para viver e trabalhar nos Estados Unidos recorreram ao auxílio financeiro da gestão de Donald Trump para manter funcionários”, afirmou Lins.

Para os brasileiros sem documentação, a situação é mais complicada. “Embora os requisitos para obter ajuda financeira não prevejam a questão imigratória, quando o proprietário da empresa é “indocumentado”, o benefício tende a ser negado pela administração de Trump. Estes empresários estão tendo que se reinventar já que nenhuma ajuda foi anunciada pelo governo brasileiro até agora. Existem pessoas empreendendo em outras áreas ou até mesmo mudando de cidade”, continuou Rodrigo.

Para o especialista, é preciso considerar que a recuperação econômica dos Estados Unidos, de modo geral, será mais rápida. Contudo, Rodrigo Lins acredita que os setores do Turismo e do entretenimento terão desafios de médio e longo prazo para se restabelecer, o principal deles: oferecer a sensação de segurança da não contaminação do novo vírus ao grande público.