Estrada Real: conheça as belezas e história do Santuário do Caraça (MG)

Faltando pouco mais de um mês para o início da Primavera, muitos turistas já começam a procurar destinos para descansar e aproveitar ao máximo a estação. Em Minas Gerais, um lugar chama a atenção por oferecer tranquilidade e, ao mesmo tempo, convivência direta com a natureza: o Santuário do Caraça.

Considerado uma das mais importantes reservas ecológicas do país, a região está localizada entre os municípios de Barão de Cocais, Catas Altas e Santa Bárbara. Lá é possível encontrar grande variedade de espécies de plantas e quem quiser ver tudo isso de perto, é bom se adiantar, pois nesse período o local fica ainda mais concorrido e, em virtude da pandemia, o número de hóspedes e visitantes está restrito.

“O complexo Santuário do Caraça conta com 12.500 hectares de Mata Atlântica, Campos Rupestres e Cerrado. Além disso, oferece ao turista, diversas trilhas, das mais curtas até às que levam horas de caminhada, passando por belíssimas paisagens e chegando a incríveis cachoeiras. Durante as caminhadas pelas trilhas, os visitantes podem contemplar as maravilhas da biodiversidade caracense, que abriga espécies da flora endêmicas, algumas ameaçadas de extinção”, explicou o gerente geral do Santuário do Caraça, Márcio Mol.

O complexo do Santuário do Caraça ainda abriga um lindo jardim e grande variedade de plantas medicinais. “Os dois picos mais altos da Serra do Espinhaço estão dentro da reserva natural do Santuário do Caraça: o Pico do Sol, que fica a 2.072 metros de altitude, e o Inficionado, com 2.068 metros; neles são encontradas diversas espécies de plantas que só sobrevivem em matas nebulares e campos rupestres acima de 1.900 metros de altitude”, adiciona Mol.

O que fazer no Santuário do Caraça?

Gastronomia

A gastronomia do Caraça é um ponto que merece atenção especial dos visitantes. Além da experiência de comer no refeitório histórico, com toda a simplicidade e variedade de sabores da comunica mineira, há uma adega no local onde dá para ver o processo de produção do vinho tinto, do hidromel e dos fermentados de laranja, jabuticaba e morango.

Há também a padaria, que fabrica pães, bolos e biscoitos, e a doceria, para doces, geleias e compotas. O queijo minas artesanal, cujo processo de fabricação existe há mais de 200 anos, é uma das delícias mais procuradas no Santuário e é matéria prima de vários pratos da região em concursos e festivais gastronômicos.

A hora do lobo

Um dos grandes atrativos do Santuário do Caraça é a famosa hora do lobo. A tradição de aguardar a visita do lobo todos os dias, à noite, começou no Caraça em maio de 1982, quando algumas lixeiras começaram a aparecer derrubadas e reviradas. Começou-se a observar e descobriram que o responsável por revirar as lixeiras do Santuário era o Chrysocyon brachyurus, conhecido como Lobo Guará.

Desde então, começaram a colocar bandejas de carne nos dois portões da frente da casa e aos poucos os lobos se aproximaram da escada da igreja. Hoje, a bandeja é colocada no adro da igreja, onde têm ido comer, além do lobo-guará, cachorros-do-mato e uma anta.

A prática de alimentar esses animais ali na Casa só persiste até os dias atuais porque o hábito de caça do animal não foi comprometido. Por este motivo, o lobo-guará não tem hora de aparecer. O tempo de espera da aparição do animal é conhecido como “hora do lobo”, a partir das 18h30.

História e Cultura

O Caraça é uma estrutura cultural em constante formação. Começou por volta de 1770, quando o Irmão Lourenço de Nossa Senhora iniciou a construção do ‘hospício’, como então era chamada a hospedaria para acolher peregrinos. Posteriormente, a instituição transformou-se em Colégio e Seminário. Atualmente o lugar mantém a sua essência, proporcionando às pessoas a chance de interagir com a história.

O complexo é tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual. Foi escolhido como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real. Conta com um amplo Conjunto Arquitetônico onde estão a primeira igreja de estilo neogótico do Brasil, o prédio do antigo Colégio (hoje Museu e Biblioteca); o hotel com 54 apartamentos e quartos, com capacidade para até 230 pessoas; e a Fazenda do Engenho, com 26 apartamentos. A Biblioteca hoje está instalada no prédio onde funcionava o célebre Colégio, que hoje abriga também o Museu, o Arquivo e um Centro de Convenções

Medidas Sanitárias da Covid-19

Obedecendo ao decreto municipal 94/2020, da Prefeitura de Catas Altas, não poderão visitar ou se hospedar pessoas pertencentes ao grupo de risco, como maiores de 60 anos, hipertensos, diabéticos, gestantes e imunodeprimidos ou portadores de doenças crônicas. Já para os que estão liberados para a visita, é importante seguir algumas orientações que são repassadas ao turista na entrada com complexo. É necessário e obrigatório:

  • Utilizar máscaras, de preferência caseira, durante todo período de permanência fora do quarto
  • Realizar a higienização das mãos ao entrar no estabelecimento, acessar balcões de atendimento, ao realizar check-in e check-out e ao sair do estabelecimento.
  • Evitar rir, conversar, manusear o telefone celular, ou tocar no rosto, nariz, olhos e boca, durante sua permanência no interior do estabelecimento.
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e boca com um lenço descartável, descartá-lo imediatamente e realizar higienização das mãos. Caso não tenha disponível um lenço descartável, cobrir o nariz e boca com o braço flexionado.
  • Será realizada a aferição da temperatura corporal através de termômetro laser, no momento de acesso pela portaria principal, bem como entregue uma ficha de avaliação de saúde durante o processo de entrada.